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Requisitos obrigatórios e desejáveis: como separar na vaga

Um método simples para decidir o que é obrigatório e o que é desejável nos requisitos da vaga, com testes práticos, exemplos por cargo e uso na triagem.

Recrutamento e Seleção 9 min de leitura
Lista de requisitos de uma vaga dividida entre obrigatórios e desejáveis

Um escritório de contabilidade abriu uma vaga de auxiliar administrativo pedindo ensino superior completo, inglês intermediário, três anos de experiência e conhecimento de dois sistemas específicos. Em duas semanas, apareceram quatro currículos. Nenhum atendia a tudo. A vaga foi reaberta com metade das exigências e, aí sim, chegaram candidatos bons, alguns deles sem nunca ter falado inglês, que não fazia falta nenhuma na função.

Esse é o efeito mais comum de requisitos da vaga mal separados: a lista de desejos vira lista de exigências, e o filtro fica tão fino que nada passa. O contrário também acontece: tudo vira “desejável” e a triagem precisa ler cem currículos que não poderiam ser contratados. A seguir, um método para fazer essa separação com critério e transformar o resultado em triagem organizada.

A diferença entre obrigatório e desejável

Requisito obrigatório é aquilo sem o qual a pessoa não pode exercer a função desde o primeiro dia, seja por lei, por segurança ou porque a empresa não tem como ensinar em tempo razoável. Requisito desejável é o que acelera a adaptação ou melhora a entrega, mas pode ser aprendido no trabalho ou compensado por outras qualidades.

Em outras palavras, o obrigatório elimina; o desejável ordena. Quem não tem o obrigatório sai do processo. Quem tem os desejáveis sobe na fila, mas quem não tem continua participando.

Três testes para classificar cada requisito

Escreva todos os requisitos que vierem à cabeça, sem filtro. Depois, passe cada um pelas três perguntas abaixo.

1. A lei ou a segurança exigem?

Registro no conselho profissional para técnico de enfermagem, CNH na categoria adequada para motorista, treinamento da NR-10 para quem trabalha com instalações elétricas. Se a resposta é sim, o requisito é obrigatório e não há discussão. Na dúvida sobre o que a norma exige para o cargo, confirme com o técnico de segurança ou o órgão de classe.

2. A empresa consegue ensinar em até 30 dias?

Operar o sistema de ponto de venda, conhecer o mix de produtos, seguir o procedimento de abertura da loja: tudo isso se aprende rápido com um bom acompanhamento. Se a empresa consegue ensinar em poucas semanas, o requisito é desejável. Montar um balanço contábil ou ajustar uma máquina CNC, não. Nesses casos, faz sentido exigir.

3. Alguém que já faz bem esse trabalho atende a esse requisito?

Pense no seu melhor funcionário naquela função. Ele tinha ensino superior quando foi contratado? Tinha três anos de experiência? Se a resposta for não e ele é o melhor da equipe, aquele requisito não é obrigatório. Esse teste derruba boa parte das exigências que entram no anúncio por hábito.

Exemplos por cargo

A tabela mostra como a separação fica em três vagas comuns em pequenas e médias empresas. Os critérios são exemplos; cada empresa deve ajustar à sua realidade.

CargoObrigatóriosDesejáveis
Operador de caixaEnsino fundamental completo; disponibilidade para escala aos fins de semanaExperiência com caixa; facilidade com contas; experiência em atendimento
Motorista entregadorCNH categoria compatível com o veículo; disponibilidade de horárioConhecimento da região; experiência com roteiro de entregas; curso de direção defensiva
Técnico de enfermagemCurso técnico concluído; registro ativo no CORENExperiência em pronto atendimento; cursos de atualização em urgência

Repare que nenhum dos obrigatórios é um traço de personalidade. Comportamentos como cordialidade, organização e paciência são avaliados na entrevista, não eliminados no anúncio. Escrever “ser proativo” como requisito obrigatório não filtra ninguém, porque todo candidato acredita que é.

Cuidado com os requisitos escondidos

Às vezes o requisito mais importante nem aparece na lista. É o caso da loja que precisa de alguém disponível para fechar o caixa às 22h, mas só menciona isso na entrevista, ou da fábrica que exige subir escadas de acesso a silos várias vezes ao dia. Pergunte ao gestor da área: o que fez os últimos contratados desistirem? A resposta costuma revelar uma condição que deveria estar entre os obrigatórios desde o anúncio. Colocá-la por escrito economiza entrevistas e evita contratações que terminam no período de experiência.

Como escrever os requisitos da vaga no anúncio

Uma vez separados, os requisitos precisam aparecer de forma clara para o candidato. Algumas orientações práticas:

  • Use dois blocos com títulos diferentes: “Requisitos” e “Diferenciais”. O candidato entende na hora o que é eliminatório.
  • Limite os obrigatórios. De dois a quatro costumam bastar. Se passar de cinco, revise com os três testes.
  • Seja específico. “Experiência com planilhas” é vago. “Saber usar filtros, somas e tabelas em planilhas” é verificável.
  • Explique o motivo quando ajudar. “Disponibilidade aos domingos (a loja abre das 8h às 13h)” evita que a pessoa se candidate sem perceber o impacto.
  • Não exija o que a lei proíbe. Idade, sexo, estado civil e aparência não são requisitos. A exceção é a idade mínima prevista em lei para certas atividades, como o trabalho noturno, perigoso ou insalubre, vedado a menores de 18 anos.

Um bloco de requisitos bem escrito fica assim:

Requisitos: ensino médio completo; experiência de pelo menos seis meses com atendimento ao público; disponibilidade para trabalhar aos sábados, das 8h às 12h.
Diferenciais: experiência com vendas de materiais de construção; conhecimento de leitura de projetos simples; CNH categoria B.

Dos requisitos aos filtros de triagem

A separação não serve apenas para o anúncio. Ela é a base da triagem. Os obrigatórios viram filtros eliminatórios: currículo sem CNH, para uma vaga de motorista, nem precisa ser lido. Os desejáveis viram critérios de pontuação, que ajudam a decidir quem chamar primeiro para entrevista.

Um jeito simples de organizar isso:

  1. Aplique os filtros obrigatórios e separe quem passou.
  2. Para cada desejável atendido, some um ponto. Se algum desejável for bem mais importante que os outros, dê dois pontos a ele.
  3. Chame primeiro os de maior pontuação, mas não descarte os demais: eles continuam elegíveis.
  4. Registre os critérios usados, para que a próxima triagem da mesma vaga siga o mesmo padrão.

Quando os currículos estão em campos padronizados, essa etapa fica muito mais rápida, porque cada requisito corresponde a uma informação que pode ser filtrada. O artigo sobre triagem de candidatos detalha como estruturar essa fase, e o texto sobre filtros personalizados na busca por candidatos mostra como reaproveitar a mesma combinação em vagas que se repetem.

Roteiro de conversa com o gestor que pede a vaga

Em muitas empresas, quem escreve o anúncio não é quem vai trabalhar com o contratado. O pedido chega do gerente da loja ou do encarregado da produção, quase sempre com uma lista longa e pouco explicada. Uma conversa de quinze minutos, com perguntas fixas, ajuda a separar o que é necessário do que é preferência:

  1. O que essa pessoa vai fazer nas primeiras quatro semanas? As tarefas do primeiro mês mostram o que precisa vir pronto.
  2. Qual erro, nessa função, causaria prejuízo ou risco? A resposta costuma apontar os obrigatórios técnicos e de segurança.
  3. Quem ensina o novato e quanto tempo essa pessoa tem? Se não há ninguém para treinar, alguns desejáveis passam a ser obrigatórios, e vale saber disso antes.
  4. Por que o último ocupante saiu ou foi desligado? Ajuda a descobrir requisitos escondidos, como horário, esforço físico ou deslocamento.
  5. Se aparecerem dois candidatos, um com experiência e outro sem, mas com mais disponibilidade, qual você escolhe? A resposta mostra o que realmente pesa para o gestor.

Registre as respostas junto com a lista final de requisitos. Na próxima vaga do mesmo cargo, o ponto de partida já está pronto, e a conversa fica ainda mais curta. A descrição das atividades, que vem antes dos requisitos no anúncio, segue a mesma lógica, como mostra o texto sobre como escrever uma descrição de vaga que atrai bons candidatos.

Mais exemplos: auxiliar administrativo, vendedor e cozinheiro

Para completar a tabela anterior, veja a separação em três cargos de perfis diferentes. Novamente, são sugestões que cada empresa deve ajustar.

CargoObrigatóriosDesejáveis
Auxiliar administrativoEnsino médio completo; uso de computador para e-mail, planilhas e sistemasExperiência com rotinas de escritório; curso de informática ou de assistente administrativo
Vendedor de lojaDisponibilidade para a escala do comércio, incluindo sábadosExperiência em vendas no mesmo segmento; histórico com metas; facilidade com vendas por WhatsApp
CozinheiroExperiência comprovada em cozinha profissional; disponibilidade para o turno da casaCurso de boas práticas de manipulação de alimentos; experiência com o tipo de cardápio do restaurante

No caso do cozinheiro, a experiência é obrigatória porque a empresa raramente consegue ensinar o ofício completo em poucas semanas, ao contrário do auxiliar de cozinha. Esse é o segundo teste em ação.

Requisitos que costumam virar armadilha

  • Tempo mínimo de experiência muito alto. "Cinco anos" raramente tem justificativa para funções operacionais. Muitas vezes, seis meses na mesma atividade já indicam o que se precisa saber.
  • Escolaridade acima do que a função usa. Exigir ensino superior para uma rotina que não depende dele reduz a lista e aumenta a chance de o contratado sair por falta de desafio.
  • Sistema específico como obrigatório. Quem domina um sistema de gestão aprende outro com rapidez. Prefira "experiência com sistemas de gestão" como diferencial.
  • CNH sem necessidade. Se a pessoa não vai dirigir no trabalho, a habilitação não pode ser filtro.
  • Endereço no lugar da disponibilidade. Em vez de restringir bairros, informe o horário de entrada e deixe que o candidato avalie se consegue chegar.

Os dois blocos resultantes, Requisitos e Diferenciais, entram no anúncio no lugar indicado pelo modelo de anúncio de vaga.

Perguntas frequentes

Experiência anterior deve ser obrigatória?

Só quando a função não pode ser ensinada em pouco tempo ou envolve riscos. Para muitos cargos de entrada, exigir experiência afasta bons candidatos que aprenderiam rápido.

E se ninguém atender a todos os obrigatórios?

Reveja a lista com os três testes. Se um requisito continuar obrigatório, avalie divulgar a vaga em outros canais ou rever a remuneração. Se não for, mova-o para os diferenciais.

Escolaridade é obrigatória ou desejável?

Depende do cargo. Quando há exigência legal ou técnica, é obrigatória. Quando é só uma forma de supor capacidade, costuma ser melhor tratá-la como desejável e avaliar a competência de outras formas.

Posso mudar os requisitos depois de publicar a vaga?

Pode, mas registre a mudança e aplique o novo critério a todos os candidatos, inclusive aos que já se inscreveram. Mudar regras só para parte dos candidatos gera injustiça.

Menos exigências no papel, mais acerto na escolha

Separar obrigatórios e desejáveis é um exercício de honestidade sobre o que o cargo realmente pede. O ganho aparece em dois momentos: no anúncio, que atrai mais gente com potencial, e na triagem, que passa a seguir regras claras em vez de impressões. Na Gestão de Currículos, os currículos chegam em campos padronizados e a equipe combina filtros como área, cidade, formação, experiência e CNH, salvando as combinações mais usadas. Conheça esses e outros recursos nas funcionalidades do banco de currículos.

Sua empresa pode ter um banco de talentos próprio

Os candidatos cadastram o currículo na sua página de carreiras e a sua equipe filtra, compara e contrata em um só painel, com a identidade visual da sua empresa.

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